sexta-feira, 24 de março de 2017

Em mim espaço não há

E então eu a vi acordar.
Quem sabe ela acordou só para poder sonhar? Mas só ficou nítido o longo bocejar enquanto ela se espreguiçava. 
Um banho com os olhos fechados a levou para dez mil quilômetros daqui. Ora, não se pode fugir disso.
A angústia rasga a carne quando entra no ônibus lotado em direção ao trabalho. 
Do alto daquele nono andar, ela viu muitos anos se passarem. Uns bons, outros piores. Nenhum como ela planejou. 

Já não era sem tempo, talvez ela não quisesse voltar para casa. Mas não tinha lugar melhor que a seu quarto. A madrugada era iluminada pelo azul fosco da tevê ligada. Apenas para lhe fazer presença naquele pequeno quarto. Eu ouvi os gritos...os gritos aterrorizados de seus pulmões tentando se encher de ar. Talvez pela última vez. 

Os comprimidos sem prescrição médica descem por sua garganta dissolvendo-se junto ao gole de whisky barato.
Agora ela podia sentir. Sentia-se viva, como jamais pode sentir. Seus músculos se contraiam descontroladamente. Suas artérias estavam dilatadas, fazendo as substâncias circularem através de sua corrente sanguínea em uma velocidade incalculável. Sentiu as pálpebras pesarem. 

Agora não há mais volta. 

Ela pode testemunhar seu último suspiro. Sua alma por tanto tempo enegrecida, já não mais habitava aquela massa debruçada por sobre a cama, que a muito tempo não se via arrumada.

Quem eu sou? Eu sou o desespero, a angústia, o descontrole. Eu sou o perigo e o grave. O desfoque do medo. Eu assolei seus sonhos por tanto tempo. Eu estendi minhas mãos para que ela pudesse me seguir. Eu a trouxe para cá.

Agora acabou. 

Uma breve introdução da geração 3.0

Se voce leu a postagem passada, talvez ficou pensando que o cara que escreveu fosse uma pessoa estranha, que mendiga atenção e não tem noção das coisas...


Eu normalmente leio tudo que posto, leio muito bem o que escrevo ante de deixar aquilo publico. Mas quando escrevo nesse blog, gosto de deixar simplesmente a ideia fluir, me da uma sensação de liberdade intelectual. Ate porque, não tenho noção de quem vai ler, e isso e muito confortável. 



Nao vou explicar a postagem anterior, porque seria bem estranho, cabe uma interpretação ai (risos)



Hoje eu gostaria de escrever que eu considero clichê so de pensar...algo que por mais que seja comum de se falar hoje, ainda não e um assunto muito fácil de entender.


"Essas reflexões sempre me levam a pontos mais obscuros de pensamento. Hoje me peguei em uma situação que por varias vezes acabei julgando as pessoas. O motivo consiste em todas essas pessoas - garotas e mulheres - que conheço, sejam elas pessoalmente ou através dos aplicativos de relacionamento, todas elas não sabem mais interagir de forma humana com as pessoas - ou comigo, nesse caso -. Digo isso especificamente, porque recentemente tive a oportunidade de conhecer uma garota pessoalmente…como as pessoas antigamente conheciam umas as outras. 
Ela veio fazer uma pesquisa de qualidade sobre um determinado produto para uma empresa especifica. Muito que bem, cedi meu tempo e participei dessa pesquisa, que em si, durou apenas alguns minutos. O que me surpreendeu foi que quando acabou, nos continuamos a conversar. Falamos sobre muitas coisas (nos ja tínhamos descoberto o nome um do outro) desde estudos, trabalhos, família e ate meio que criamos um “roteiro” para sairmos. 
Eu realmente me surpreendi, na minha cabeça aquilo não era mais possível, "as pessoas haviam perdido aquela pratica”. Por fim, tivemos uma conversa de mais ou menos uns vinte minutos. Trocamos os números, deixamos tudo muito “alinhado”, não tinha o que dar errado.
Pessoalmente a garota era muito gente boa! Realmente me fez acreditar que ainda e possível você conhecer alguém como se conhecia antes de uma coisinha chamada WhatsApp aperfeiçoar (ou amaldiçoar) a forma como interagimos com outros humanos. 

Então nos começamos a conversar dois dias depois de trocarmos os números...e eis que minha descrença na humanidade se fez mais viva: a garota se demonstrava por mensagens uma pessoa completamente avessa a guria simpática que havia encontrado pessoalmente. Claro que não fui logo de cara intimando ou sequer questionando, não tínhamos nada e nada me dava o direito de cobrar aquilo.
Eu apenas insisti bem sutilmente que fossemos tomar um cafe perto de onde ela trabalhava, assim não ficaria ruim para nenhum de nos dois - a historia de unir o útil ao agradável -.

De forma resumida, nos conversamos bastante, e em determinado ponto, rolou uns beijos e tudo mais. Antes irmos embora, a garota levantou o assunto da indiferença dela mesma, e iniciou uma explicação que embora eu quisesse, eu não esperava que viesse voluntariamente: "eu nunca inverti e método de conhecer alguém, primeiro eu conheço, conversamos por mensagem e depois eu saio com a pessoa, não entendi o que aconteceu entre eu e você". Soou um papo meio doido, mas eu aceitei porque ela disse que aquilo para ela era "muito Black Mirror", então pude entender.

Depois, acabou que nos conversamos mais umas vezes, mas conseguimos estabelecer que eu queria algo humano, que fosse igual tanto por celular, quanto frente a frente. E para ela, conhecer um cara era baseado no "modelo Tinder" de relacionamento".


Moral da historia: realmente existem pessoas que não aprenderam o antigo método de conversa tradicional, ou seja...desenvolver um assunto normal na frente da pessoa, e o celular ser uma forma de complementar o dialogo.
Mas nada muda, vamos adiante conhecendo essas pérolas que a vida nos deixa. 

Da uma olhada no blog, eu vou publicar um texto logo após esse. Eu escrevi inspirado numa colega que quase foi dessa para uma melhor, devido um um amontoado de problemas pessoais e profissionais. Fique tranquilo, pois ela leu meu textinho e ate gostou muito. 

Acompanhe-me. 
















domingo, 19 de março de 2017

Definitivamente, escrever para estranhos funciona como remédio. Então leiam!


Nada poderia ser tão poético, quanto você acordar no domingo de manha, se despedir da garota, leva-la ate o carro do Uber.  

Ai você nota que o domingo e um domingo incomum…esta chovendo e fazendo frio, depois de muito tempo com cara de verão. Eu não gosto do verão. 

Tudo se torna tão marcante ao ponto de parecer cinematográfico. Cria-se uma marca em minh'alma, mais uma.

O cafe da manha no quarto escuro se torna um cinema sombrio, onde as imagens apenas são mostradas na minha mente. Imagens de uma noite que por si so, se faz inesquecível. 

Uma noite veloz! Fica claro quando você tem uma noite, uma única noite para simplesmente tocar a alma de um ser tão perfeito, e então chega o dia. Apaga todo o rastro que o reflexo do suor deixou na cama. 

Você se depara com o perfume que a garota deixa em todos os cômodos das tua casa. Tua casa se torna seu próprio limbo…deixou de ser meu abrigo seguro.

"Entre por essa porta agora. e diga que me adora.
Vem, vambora!" 

As memórias se tornaram um mesclado de horas passadas e cinzas frágeis, que com o menor toque ou sopro, some de uma vez. 

O que fica no final de tudo, depois de duas canecas grandes de cafe, e apenas a incerteza se o celular vai tocar, se tua mensagem vai ser respondida. Fica o medo de não ter rédeas sobre o coração, medo que o perfume fique incrustado não so na minha camisa que ela usou, mas na cama, no quarto…isso vai destruir qualquer resquício de sono, de calmaria. 

Eu sempre digo, penso e trabalho com a hipótese que o amor e um agente maligno. Mas me corrijo, pois dizem que o “amor move montanhas”. 

Eu tenho medo do amor. 


#Referencia musical: Vambora - Adriana Calcanhotto